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Primeira índia a entrar na UFPI é de Lagoa de São Francisco

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A primeira descendente autodeclarada de uma comunidade indígena chegou a Universidade Federal do Piauí em 2016. A estudante Dinayana Kelly Uchoa do Nascimento, 18 anos, descendente dos índios da cidade de São Francisco, próximo a Piripiri, cursa Educação no Campo. Ela é a primeira da família e da comunidade a ter nível superior. De acordo com o representante da Fundação Nacional do Índio no Piauí, Romeo Tavares, ela, até o momento, também é a primeira a constar nos dados da Funai. Atualmente, ela mora em Teresina para concluir os estudos; os pais, Francisco Teixeira e Antonia Maria, continuam em Lagoa.

Em entrevista ao Cidadeverde.com, Dinayana Kelly afirmou que ao receber o diploma deverá voltar a morar na comunidade para repassar às famílias locais tudo que aprendeu na Universidade e, dessa forma, ampliar o acesso a educação das cerca de 30 famílias que se autodeclaram indígenas.

“A avó do meu avô era índia legítima. Ninguém da minha família ou da minha comunidade estudou na UFPI. Eu penso em trabalhar na escola rural da minha comunidade. Lá as pessoas ficam me dando parabéns e falando que vou ser doutora”, disse.

Nesta terça-feira (19), no dia em que se celebra a cultura indígena no país, Dinayana reconhece os avanços, mesmo que pequenos, e lamenta que os descendente de índios ainda sejam vistos por muitos como um personagem caracterizado. Ela conta que, quando revelou aos colegas de turma a descendência, chegou a ser questionada sobre o não uso de pinturas pelo corpo por algumas pessoas. Foi durante uma aula de História da Educação que a biografia da estudante veio à tona.

“Depois que souberam, as pessoas ficam me perguntado por que eu não me pinto ou se o meu cabelo não é liso, ou se minha mãe é mesmo índia. Pensam que índio precisa andar com a cara pintada e pena na cabeça. As pessoas ainda pensam que para ser índio precisa andar caracterizado, e não é assim, basta se autodeclarar”, comentou. A estudante disse que para evitar qualquer tipo de preconceito, mesmo se reconhecendo indígena, optou por entrar na Universidade sem a opção de cotas.

Questionada sobre práticas discriminatórias, Dinayana respondeu que, até o momento, não passou por nenhuma situação constrangedora, mas, afirma: “eles ficam surpresos porque pensam que no Piauí não tem índio”.